terça-feira, 19 de janeiro de 2010

[ Não precisa ser para sempre, mas precisa ser até o fim ]

       'Para sempre’, em minha opinião, é nada mais nada menos que um dia depois do outro. Ou seja, é construção. Em princípio, não existe. Mas basta que façamos a mesma escolha sucessivamente e teremos construído o ‘para sempre’.

O que quero dizer é que o ‘sempre’ não é magia nem tampouco um tempo que pré-exista. Ele é conseqüência. Nada mais que conseqüência de uma sucessão de dias, vividos minuto por minuto.

Quanto ao amor, tem gente que acredita que só é de verdade se durar “até que a morte os separe”. Outras, como o grande Vinícius de Moraes poetizou, apostam no “que seja eterno enquanto dure”.



Eu, neste caso, admiro a coragem de quem vai até o fim, de quem se entrega inteiramente ao que sente, de quem se permite viver aquilo que seu coração pede até que todas as chamas se apaguem. Mais do que isso: até que as brasas esfriem e – depois de todas as tentativas – nada mais possa ser resgatado do fogo que um dia ardeu.

Claro que não estou defendendo a constância indefinida de atitudes desequilibradas, exageros desnecessários ou situações destrutivas. Mas concordo plenamente com o que está escrito no comovente “Quase”, de Sarah Westphal (muitas vezes atribuído a Luiz Fernando Veríssimo):

... “Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar” ...

Porque de corações partidos por causa de um amor vivido pela metade as ruas estão cheias. Assim como de almas que perambulam feito pontos-de-interrogação, a se questionar o que mais poderiam ter feito para que o outro também estivesse presente, para que não fugisse tão furtivamente, tão covardemente, tão sordidamente.

É por isso que insisto: muito mais do que nos preocuparmos com o ‘para sempre’, precisamos começar a investir no ‘até o fim’, para que o ‘agora’ tenha mais significado, para que as intenções, as palavras, as atitudes e todos os recomeços façam parte de uma história mais sólida, menos prostituída, que realmente valha a pena.

Então, questione-se: o coração ainda acelera quando o outro se aproxima? O peito ainda dói de saudade? O desejo ainda grita, perturbando o silêncio da noite? Não chegou ao fim! Não acabou.

Sei que, em alguns casos, motivos de força maior impedem um amor de ser vivido (e daí a separação pode ser sinal de maturidade), mas na maioria das vezes o que afasta dois corações é muito mais intolerância, ilusões ou auto-defesas tolas do que algo que realmente justifique o lamentável desfecho.

O outro não quer? Desistiu? Acovardou-se? Ok! Por mais incoerente que pareça, é um direito dele. Esteja certo de que você fez o que estava ao seu alcance e depois... bem, depois recolha-se e pondere: “pros amores impossíveis, tempo”.

Tempo em que você terminará descobrindo que a vida tem seu jeito misterioso de fazer o amor acontecer, mas que – no final das contas – feliz mesmo é quem, apesar de tudo, tem coragem de ir até o fim!
(Rosana Braga)

3 comentários:

  1. Parabéns, Lilian! Você escreve muito bem! Lembrei-me de um poema do Manuel Bandeira, que eu só fui conhecer recentemente. É assim:

    Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
    A alma é que estraga o amor.
    Só em Deus ela pode encontrar a satisfação.
    Não noutra alma.
    Só em Deus - ou fora do mundo
    As almas são incomunicáveis.

    Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo

    Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

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  2. A dor q se sente qndo vc qr ir até o fim mas o outro tem medo d tentar é absurda....mais um motivo pra desistencia...

    O pra sempre é relativo, todos, por mais q digam q ñ, tem pelo menos a esperança dq o romance atual seja eterno.
    Tudo é uma questão d espectativas, coragem, entrega e paciencia.
    Tomar cuidado com espectativas ilusorias, coragem pra se permitir amar e abrir mão d certas coisas e mudar d atitude *desde q seja bom para ambos* na relação, entrega d corpo e alma msm sabendo q vc pode sofrer no meio do caminho ou com o fatidico fim e paciencia pra saber lidar com outro e si msm....

    Vc escreve bem e tem boa visão dos sentimentos humanos. Parabéns

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  3. Gente, o Texto é muito bom mesmo, mas é de Rosana Braga.
    Tá escrito ali!
    ;)

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